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sábado, 12 de setembro de 2015

A Regra do Jogo ou o Jogo sem regras ?


A Regra do Jogo ou o Jogo sem regras ?

Na Teoria da narrativa existem dois tipos de personagens classificadas como Personagens Planas ou Desenhadas e Personagens Circulares ou Esféricas. As primeiras são aquelas mais simples, bem típica dos contos de fadas tradicionais nos quais facilmente identificamos os mocinhos e os vilões. Já a segunda estirpe, é composta justamente por aqueles perfis psicológicos que não se doam docilmente à nossa interpretação. Exigem olhar atento, vão se modulando e nos surpreendendo no desenrolar da trama. Membros dessa segunda prole de papel povoam A Regra do Jogo, nova novela das 21, de João Emanuel Carneiro. Saudado como renovador do gênero desde o inquestionável sucesso de Avenida Brasil. Parece que novamente nos toma de assalto e nos nocauteia a cada capítulo, sem dúvida ele faz parte da Tropa de Elite da teledramaturgia.

Todas as personagens principais jogam o jogo da ambiguidade. Como insinua o tabuleiro de xadrez da abertura, nem tudo é preto no branco, nem mesmo preto ou branco. Romero Rômulo, o protagonista mais complexo da linhagem da teledramaturgia global (se minha memória não me trai) é um mix de personaes diversas. Misto de líder popular com gangster só para começar. Como todo bom herói (ou anti) tem uma origem familiar conturbada e uma trajetória repleta de segredos. Será preciso retornar às origens para cumprir seu périplo. E para colorir ainda mais suas tintas, um drama humano o habita, uma doença degenerativa. Ele é um turbilhão de emoções e conflitos tão bem expostos pelo magistral Alexandre Nero (já exorcizou o comendador) que vem nos inquietando com o seu endemoninhado Rock and Roll. Quem é de fato esse homem? Ou Quem tem medo de Romero Rômulo? Parecem ser o eixo central da novela.

Todos têm algo a esconder, todos têm uma face oculta sob a face neutra. Segredos, sussurros e papéis guardados na gaveta dos armários e da memória ameaçam se revelar a cada instante. Os becos tortuosos e labirínticos do Morro da Macaca, com sua infinita rede de fios, portas, janelas e frestas parecem simbolizar os meandros complexos da alma das personagens. Zé Maria (Toni Ramos, brilhante em qualquer papel), na penumbra, anuncia sua volta para luz.  A professora e mater dolorosa Djanira (Cássia Kiss Magro), é um poço de mistério. A sedutora-picareta Athena (Giovana Antonelli) é também Francineide, oscilando entre o sonho do jet-set e a realidade do quarto  de pensão. O executivo cortês (Du Moscovis) é um dos líderes da FACÇÃO, uma irmandade onipresente e onisciente, com toda carga dramática dos bons filmes de máfia. A “família” disputa o poder com seus códigos (a) morais.

Aliás, as relações familiares complexas é outro ponto alto da intricada rede. Paternidades e maternidades variadas, com toda dor e delícia dos vínculos biológicos e sociais, refletem sobre as células da sociedade. Adisabeba (arrebatadora com o brilho dourado de Suzana Vieira) é a mãezona do Morro, nossa Jocasta suburbana. A sua relação de proteção com o filho estende-se para todos ao seu redor. O núcleo Gibson Stuart(José de Abreu), talvez o mais denso, traz Nelita(enigmática Bárbara Paz)  como metáfora explícita da ambiguidade, é anjo  e demônio juntamente. E no quesito comicidade, o voto vai para Feliciano Stuart( Adorável  Marcos Caruso). A sua grande família-trapo rouba a cena. Ele, fidalgo decaido que não perde a elegância jamais, com seu Robe de Chambre e bolo de contas vencidas, brinda a união da família com champanhe em xícaras Duralex. Como numa pizza mezo burguesia/ mezo classe-média.

O jogo está lançado e parece não haver regras entre os participantes. Tudo ainda em aberto. Todos suspeitos sob nosso julgamento do lado de cá e de lá da tela, como na bela música da abertura “É O juízo final, a história do bem e do mal”. Alguns resíduos de esperança se insinuam nesse mundo tão distópico. Tóia e Juliano (Vanessa Giácomo e Cauã Reymond, não precisam mais provar que são grandes atores), casal-símbolo da possibilidade da persistência do bem sobre o mal, começam a passar por suas expiações....resistirão?  Aguardem cenas dos próximos capítulos...

 

9 comentários:

  1. Olá,
    mais uma excelente análise . Alana, como sempre, nos brinda com sua cultura e seus comentários. Vamos em frente !

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  2. Pois é. Continuemos assistindo á novela.

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  3. Alana, excelente análise dos capítulos iniciais de A Regra do Jogo! Todos estamos naquela expectativa: será que o João Emanuel Carneiro conseguirá repetir o sucesso estrondoso de Avenida Brasil? Pelos capítulos iniciais, parece que sim!

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  4. Se continuar assim, logo será convidada para comentar novelas no vídeo show. Rsrs!

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Já vejo o workshop littera com Alana no Projac.

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  7. Olá, Monstrinho, quem sabe?...Vamos profetizar...tenho muita vontade de conhecer essa fábrica de sonho...

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  8. UM COMENTÁRIO DA MINHA QUERIDA PRIMA SOBRE MERCADORIA DA GLOBO PÕE NOBREZA E VALOR NA MESMA. O PROJAC NÃO A MERECE.

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  9. Essa novela está igual a um filme de ação. Não dá tempo pra o cara respirar, só depois que acaba cada capítulo é que dá tempo de pensar no que aconteceu. Promete. Só não pode desandar que nem a Babnilônia

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